29/11/2018
Projeto Arts + Handicrafts Alto Minho
Filipa Belo

Precisamos falar sobre o projeto Arts + Handicrafst Alto Minho.

Depois de 1 hora com a Sandra ao telefone, e ouvindo a paixão que lhe saía da voz, ficámos com a certeza de que precisávamos fazer algo em conjunto.

Aqui na Portugal Manual começamos por desafiar os artesãos da nossa rede a aceitarem este desafio e continuaremos, com toda a certeza, por outras aventuras de que um dia vos falaremos.

Sobre o projeto

O projeto Arts + Handicrafts Alto Minho é uma iniciativa da CIM ALTO MINHO (Comunidade Intermunicipal do Alto Minho), produzida pela MARCA-D’ÁGUA e tem como objetivo reinterpretar através do design, arquitetura ou artes plásticas, os ofícios e artesanato tradicionais do território do Alto Minho. A iniciativa pretende contribuir para a preservação do património imaterial dos saberes e ofícios guardados na região através de uma abordagem contemporânea às técnicas, saberes e produtos característicos e existentes neste território. Partindo de novas propostas e interpretações de produtos existentes e desenvolvidos com base artesanal, da aplicação de técnicas tradicionais a objetos e projetos de linguagens atuais, ou da interpretação do património simbólico e da memória desta região, o Arts + Handicrafts Alto Minho vai selecionar cinco propostas para desenvolvimento e prototipagem, apresentando-os em exposição numa coleção que cruza este património do Alto Minho com abordagens e estéticas contemporâneas. As propostas serão selecionadas a partir de um concurso nacional onde os criadores terão de apresentar ideias que tenham por base as técnicas referenciadas no mapeamento dos artesãos do Alto Minho. Deste concurso serão selecionadas 15 ideias para participarem num bootcamp no Alto Minho, das quais 5 serão escolhidas para construção de protótipo e desenvolvidas entre os respectivos autores e os artesãos do Alto Minho.

Sobre o concurso

O Concurso de ideias Arts + Handicrafts  Alto Minho tem como objetivo reinterpretar através do design, arquitetura ou artes plásticas os ofícios e artesanato tradicionais do território do Alto Minho. Pretende-se selecionar, numa 1ª fase, 15 propostas de ideias que promovam uma abordagem contemporânea às técnicas, saberes e produtos característicos e existentes neste território. As ideias a candidatar devem selecionar uma ou várias técnicas/artesãos do mapeamento disponível nesta plataforma e propor a interpretações de produtos existentes e desenvolvidos com base artesanal, a aplicação de técnicas tradicionais a novos objetos e projetos de linguagens atuais ou integrar as técnicas e elementos do património simbólico e da memória desta região nas suas propostas artísticas. No bootcamp serão selecionados, através de um “pitching”, os 5 projetos que passarão à 2ª fase, para desenvolvimento dos protótipos. Perante as 5 ideias selecionadas, que serão produzidas em parceria com os Artesãos mapeados, o Júri pronunciar-se-á na seleção dos 3 protótipos que achar mais interessantes tendo em conta os critérios do Arts + Handicrafts Alto Minho e os premiará por ordem de interesse como 1º (2.000,00 €) , 2º (1.000,00 €) e 3º Prémio (500,00 €).

Mas a parte mais maravilhosa é, sem duvida alguma, o mapeamento e registo que fizeram dos artesãos da região e que aqui nos apresentam. Testemunhos de um legado cultural que não podemos deixar morrer. Porque, como já aqui escrevemos uma vez,

A integração do design no artesanato é uma necessidade mas constitui também uma oportunidade – de potenciar o saber-fazer dos novos artesãos que incorporam matérias-primas locais e sustentáveis, numa combinação perfeita entre o tradicional e o contemporâneo.

Queremos partilhar estas histórias de artesãos e hoje apresentamos a Maria das Dores Matos.

"Maria das Dores Matos tem 55 anos e é tecedeira de linho. Desde cedo, acompanhou a mãe no ofício de tecedeira e aprendeu, vendo-a trabalhar. A mãe, por sua vez, já tinha aprendido com a avó. Naquela altura na Currelhã, a freguesia onde viviam, muitas pessoas semeavam o linho para fazer peças de roupa e peças para a casa, mas nem todos teciam, por isso, recorriam à sua mãe. Maria das Dores semeia o linho e desenvolve todas as etapas artesanalmente até chegar ao tear. Tem ferramentas muito antigas, algumas feitas pelo avô outras já heranças da sua avó. Foi com 19 anos que pegou a sério no trabalho porque era o que gostava. Trabalha o linho liso, faz bordados no tear da sua imaginação e reproduz desenhos antigos. Só trabalha com o linho que semeia, o linho galego, que é, na sua opinião o melhor; o linho da flor azul. A esperança de alguém da família seguir a sua arte recai numa filha a acabar a faculdade: “Eu gostava que alguém seguisse este trabalho, gostava mesmo… mas este é um trabalho muito violento, muito duro, muito cansativo, vamos ver… o tempo o dirá, não é?!”

Créditos: todo o conteúdo sobre o projeto e vídeos dos artesãos é uma produção Marca D'Água para o projeto Arts+Handicrafts Alto Minho
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